A Hora do Pesadelo (1984)

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Há exatos vinte seis anos atrás, Wes Craven nos apresentava um dos maiores ícones do terror. Aqui em “A Hora do Pesadelo” Freddy Krueger era imortalizado no mundo do cinema.

O gênero terror consegue ser uma das principais rendas no cinema, os jovens muitas vezes quando entram nas salas de cinema querem esquecer o seu mundo, que já não tem muitas responsabilidades, e se aprofundar completamente em ambientações formuladas para o entretenimento e para curtição. Não por coincidência o principal alvo dos filmes de terror são jovens politicamente incorretos que acabam se metendo nas mãos de algum psicopata. Ultimamente vivemos um tempo de idéias escassas para filmes deste gênero, vide as enxurradas de remake e as importações de filmes japoneses que renderam mais dinheiro do que propriamente bons sustos: “O Chamado”, “O Grito” e tantos outros pseudo-terrores, ou melhor dizendo, pseudo-filmes

Mas todo esse modelo banalizado pelos terrores recentes já deram certo. A década de 80 foi o apogeu destas produções chamadas Slashers (subgênero de filmes de terror onde assassinos psicopatas matam pessoas por puro prazer, escolhendo suas vítimas aleatoriamente), a princípio de baixos orçamentos, mas que trouxerem influencias memoráveis e principalmente ícones do cinema que escreveram seus nome á facas, machados e á serras elétricas na história do cinema. A formula já deve ser bem conhecida pelo público: Um maníaco correndo atrás de jovens, de preferências seminuas.
Quem não se lembra, mesmo que inconscientemente não se pegou fazendo alguma referencia a Jason, Michael Myers, Thomas Hewitt o Leatherface, Pinhead….. E claro que não poderíamos nos esquecer dele, o terror de nossos sonhos, quer dizer pesadelos, Freddy Krueger

É preciso haver sensatez para saber analisar os filmes em suas determinadas épocas, concordo que muitas vezes seja uma árdua tarefa, mas que tem uma função fundamental para entender o valor de clássicos como “A Hora do Pesadelo” de 1984. O diretor e roteirista deste, foi Wes Craven (que tem em seu currículo filmes como “Pânico” e “Amaldiçoados”) olhando de hoje, não restam dúvidas que Wes Craven é um diretor limitadíssimo, mas como dizer isto de um rapaz que inventou uma estória tão bem bolada quanto a de Freddy Krueger?? A estória a princípio parece ser bem simples e banal: Freddy Krueger (Robert Englund) foi queimado vivo depois de cometer uma série de atentados contra crianças. Porém Freddy encontra uma nova maneira de atacar mais pessoas: através dos sonhos destas.

Simples não? Nem tanto quanto parece, o cinema já pôde colocar medo do escuro, de assombração, espíritos, mas quem tinha medo de dormir? O grande problema sempre foi antes de dormir, e não enquanto dormia, a originalidade de “A Hora do Pesadelo” fez esta geração aumentar relativamente o consumo de cafeína.

Robert Englund deu tão certo nas peles de Freddy Krueger que ele protagonizou simplesmente todos o filmes do maníaco da rua Elm (daí o nome original “Nightmare on Elm Street”, algo como “Pesadelo da Rua Elm”). Foram ao todos oito filmes (contando com o recente “Freddy Vs Jason”, uma homenagem a estes dois ícones), dos quais somente este aqui de 1984 se torna relevante no mundo cinematográfico. Talvez o sucesso inesperado por parte da franquia acabou surpreendendo a todos, inclusive a Wes Craven que demonstrou incrível falta de idéias e controle por parte das continuações posteriores, que beiram a mediocridade.
Com o público alvo sendo obviamente os jovens, Craven se apóia em um elenco adolescente, Heather Langenkamp no papel da protagonista Nancy, Jsu Garcia e Amanda Wyss…. Todos os atores completamente desconhecidos antes e pós-filme. Perdão!! Esqueci de um certo norte-americano da pequena cidade de Owensboro-EUA, aos vinte e um anos estreava no cinema um dos atores mais venerados da atualidade: Johnny Depp (“Ed Wood”). Quem imaginaria que o garoto (que está em uma das cenas mais clássicas do filme, onde ele é sugado pela sua cama) se tornaria o que se tornou…. Mas nem Freddy em seu pior, ou melhor, pesadelo sonharia com isto.

Analisando-o tecnicamente, volto a relatar, devemos levar em consideração a época do filme, então minhas análises serão direcionadas á década de oitenta. A montagem é extremamente simplista e na maioria das vezes péssimas, e aqui a época não é justificativa, fica em evidencia todo o terror “b” realizado por Wes Craven. Compensando essa fraca montagem valem ser destacado o ótimo roteiro: as ações dos personagens são explicadas, não são pura e simplesmente uma correria de gato e rato, a toda uma estória e tensão imposta pelo roteiro bem elaborado e bem dirigido por Craven. Obviamente os efeitos são pífios e sem impacto nenhum (a cena em que Freddy estica seus braços é vergonhosa), mas os baldes exagerados de sangue conseguem impressionar e trazer uma grande tensão.
A trilha-sonora é fantástica, um som todo distorcido com os graves desafinados e os agudos há vários tons acima, uma verdadeira ‘bagunça’ que tem em seu resultado um som tenebroso, marcante e aterrorizador.

Freddy Krueger apesar de tudo é um personagem desengonçado, simpático, vilão, carismático, solitário, estranho, amedrontador, cool, trash, ícone, ídolo, mentor, clássico….. Happy end??

“Um, dois! Freddy vem te pegar te pegar.
Três, quatro! Melhor a porta trancar.
Cinco, seis! Agarre seu crucifixo.
Sete, oito! Melhor ficar acordado até tarde.
Nove, dez! Jamais durma de novo”.

Nota: 8,0

por Filipe Ferraz

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3 thoughts on “A Hora do Pesadelo (1984)

    Índice de Críticas « CineMMaster said:
    05/05/2010 às 11:15 AM

    [...] Homem de Ferro Homem de Ferro 2 Hora do Pesadelo, A (1984) [...]

    A Hora do Pesadelo (2010) « CineMMaster said:
    07/05/2010 às 8:56 PM

    [...] quem leu meu comentário sobre “A Hora do Pesadelo” de 1984 (clique aqui) sabe do meu carinho quanto a esta obra. Alguns diretores parecem ter um devaneio de querer mexer [...]

    Predadores (2010) « CineMMaster said:
    23/07/2010 às 7:44 PM

    [...] A Hora do Pesadelo (1984) [...]

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