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Ilha do Medo (2010)

Um filme que não combina com Scorsese, tanto em sua premissa como em sua execução. Um dos poucos trabalhos fracos de sua filmografia

Para quem está acostumado com a filmografia de Martin Scorsese se estranhará logo quando assistir o trailer ou ler algo a respeito de “Ilha do Medo”, um trabalho que destoa da carreira de um dos mestres do cinema, não só pelo tema diferente, mas também por sua qualidade: muito abaixo de seus outros trabalhos, talvez o mais fraco de sua carreira.

Provavelmente se “Ilha do Medo” saísse das mãos de outro diretor haveria uma explicação para o fraco desenvolvimento do filme, agora vindo das mãos de Scorsese realmente surpreende os inúmeros defeitos existentes nessa sua nova produção. Discutir o rumo que a carreira de Scorsese vem tomando é complicado, cada vez mais o diretor vem diminuindo a qualidade de suas obras, obviamente seria muita injustiça cobrar somente obras-primas, mas é notável que a sua característica principal venha ficando de lado, por mais que sejam grandíssimo trabalhos, “Os Infiltrados” , “O Aviador” e “Cassino” não se comparam as obras-primas “Touro Indomável” , “Taxi Driver” e “Os Bons Companheiros”.

Em 1954 o detetive Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) investiga o desaparecimento de uma assassina, que fugiu de um hospital psiquiátrico e está foragida no local do próprio hospital, a sombria Shutter Island. Acompanhado de seu parceiro Chuck Aule (Mark Ruffalo) Teddy procura por pistas que possam desvendar o paradeiro da foragida.

Peço a todos que não assistiram ao filme que parem por aqui, a partir de agora Spoillers serão inevitáveis, e não quero estragar a surpresa – boa ou ruim – de “Ilha do Medo”.

Basta! Basta de filmes com finais surpresas. Ou melhor colocando, chega de filmes que fazem o espectador acreditar no que está acontecendo e simplesmente desmentir tudo que se foi passado em tela, isso parece premissa de diretores

fracos que sem habilidade não conseguem desenvolver com frieza toda a mudança de jogo, representada em filmes com reviravoltas. Há exceções é claro, como “Clube da Luta” e “O Sexto Sentido”, mas definitivamente essa não é a praia de Scorsese. O que me levou ao cinema foi à esperança de presenciar um novo “Taxi Driver” que Scorsese com sua mestria transforma o taxi em praticamente mais um personagem, porém aqui não ocorre isso, ele não opta por uma personificação da ilha, sendo ela uma simples local geográfico, nada mais que isso. Nem mesmo a exploração dela e do hospital consegue agradar, o diretor pouco explora a falta de insanidade do local, deixando os pacientes de lado e se focando quase que todo em Leonardo DiCaprio, que por sinal não está nada demais, caras e bocas que todos já conhecem. Dicaprio continua com a parceria com Scorsese, assim como De Niro realizava na década de 70 e 80, porém se espera uma atuação melhor, somente em “O Aviador” e em “Foi Apenas um Sonho” que DiCaprio consegue encher os olhos com sua atuação. Quem a meu ver rouba a cena são Mark Ruffalo e Ben Kingsley que realizam um papel muito bom e surpreendente. O elenco ainda conta com Michele Williams (“O Segredo de Brokeback Mountain”) , Patrícia Clarkson (“Do Jeito que Ela É”) e Jackie Earle Haley (“Watchmen – O Filme”).

Voltando ao andamento do filme o final não se encaixa pela falta de manuseio de Scorsese, as cenas de alucinações e sonhos do personagem de DiCaprio parecem forçados, a forma com que é encaminhado já vai se pressupondo qual rumo tomará o personagem principal. Apesar de realmente a idéia ser muito boa, com todas as jogadas com os nomes das pessoas, acredito que o romance deva ser infinitamente melhor. “Ilha do Medo” tem o roteiro adaptado do romance Shutter Island do escritor Dennis Lehane, que escreveu obras como “Medo da Verdade” e o principal deles “Sobre Meninos e Lobos”.

Mesmo não sendo brilhante – longe disso – existem cenas muito bem produzidas, a fotografia do filme é ótima, a cena em que Teddy explode o carro com sua esposa e uma de suas filhas em frente é sensacional. A trilha sonora do filme no começo tão presente some instantaneamente do filme, parecendo mal editada, um ponto que agradava, mas que acabou se perdendo junto com a história.

É um filme que literalmente engana. No começo tem se a idéia de que a ilha seja um lugar místico, sobrenatural; posteriormente fica a impressão de que seja apenas mais uma thriller de suspense policial e por final surge á “Pegadinha do Scorsese”.

Não julgaria o filme como ruim, apenas uma decepção pelo atalho de principiante usado pelo mestre Scorsese, a história em si parece ser interessante, talvez se o trabalho caísse nas mãos do fascinado por finais surpresa, Shyamalan – que é infinitamente pior que Scorsese – o filme seria melhor.

Resumindo: Vale à pena conferir para tirar suas próprias conclusões, o filme não é péssimo, mas também não está a altura de Martin Scorsese.
Enfim, essa não é praia, ou a ilha de Scorsese….

Nota: 6,5

por Filipe Ferraz

Sobre Filipe Ferraz

I Believe in Harvey Dent.

13 comentários em “Ilha do Medo (2010)

  1. Muito bom o blog Filipe, de verdade!! Me surpreendi!!
    Porém, devo discordar de maneira gritante com a crítica que apresentaste!! Achei que Ilha do Medo fosse de fato um trabalho de se jogar no lixo do mestre Scorsese, mas para minha surpresa (e tantos outros) o filme saiu muito melhor que o encomendado!! Achei que todo o trabalho técnico desenvolvido foi absolutamente perfeito, desde edição de arte, direção, elenco, trilha sonora, fotografia, e inclusive roteiro!! Acho que ele, apesar de explicitamente se envergar para um lado, deve ser visto como uma faca de dois gumes!! Acredito que se escolhermos pela sanidade de Teddy Daniels o desenrolar do filme acaba se tornando muito mais interessante!! Afinal a frase final é mais ou menos assim: “Viver como um monstro (que mosntro? O que ele é ao matar a esposa ou o que ele irá se tornar por meio dos remédios e alucinações ou confusões psicológicas que estão submetendo ele) ou morrer como um homem bom (o personagem detetive que ele mesmo criou para fugir da culpa do passado ou a pessoa que ele realmente é, já sabendo que não mais conseguiria sair vivo da ilha)?? Opto pelo Teddy Daniels que nos apresenta desde o início, justamente por tornar a trama mais política e menos alucinógena!!
    Era isso!! O mais importante no cinema e nas críticas é o confronto de idéias, a fim de torná-las mais hígidas e de podermos rever posições próprias e as vezes verdades absolutas postas como nós!!
    Paravéns, velho!! Tens posicionamentos bons e escreves muitíssimo bem!!
    P.S.: apesar de todos os elogios, ainda acho que o teu blog poderia ser um pouco menos “poluído” de imagens e mais direto ao que realmente nos interessa!!
    Grande abraço!!

    • Muito Obrigado…

      É sempre bom observar e atender a opinião de outras pessoas, mesmo que adversas as nossas….

      Posso dizer que esperava mais do filme, mas jamais ele será ruim….

      Abs….

  2. Ah,quero muito ver esse.Sou fã do Scorsese.E do Dicaprio tambem.

  3. Esperava mais do filme também…..

    Um filme alá Shayamalan, que por sinal eu odeio….

    Blog interessante.

  4. Achei sua critica um tanto quanto ranzinza
    discordo de vc.

    mas enfim, opinião é opinião

    Eu achei o filme muito bom, está longe de ser o que o Scorsese já fez, mas não me decepcionou nem um pouco, pelo contrario.

  5. [...] Ilha do Medo Inimigos Públicos Invictus [...]

  6. Olá, eu gostaria de saber qual a sua formação e qual critério você usa para julgar os filme.

    • Qual critério? Não preciso de critério.

      Tenho que assistir e gostar, simples assim, do mesmo modo que você fala se uma música é boa, ou uma roupa é bonita. Eu não preciso ser formado em moda ou ser um maestro para dar minha opinião.
      Desculpa se entendi mal sua pergunta =)

      Abs.

  7. É muito difícil agradar gregos e troianos. Eu particularmente adoro Scorsese. Dos tempos de Taxi e Bons Companheiros. Este filme agradou, mas não tanto como Gangues de NY e Cabo do Medo. Corrigindo. Coloco ele ao lado do Cabo do Medo.
    Até hoje estou esperando o De Niro sair do fundo do lago e voltar a infernizar. rsrsrsrs

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